sábado, 12 de fevereiro de 2011

Pensamentos sobre DOMINAÇÃO





  Esse blog não tem a função de ser uma apostila para DOMINADORES, nem eu pretendo me arrogar tal posição. Mas como tenho visto e recebido pedidos de ajudas, dicas, e até mesmo alguns escravos têm vindo a mim pedir que eu ensine (?!?) suas DONAs, (é isso mesmo, repensem suas posições!!!!), e no intuito de nunca ferir a ética que eu sigo, e que mantém meu mundo tão lindo e organizado, achei que colocar algumas regras básicas que eu sigo, não custava. Lembrando, caríssimos colegas, a regra baunilha de “vale tudo no amor e na guerra” NÃO, repito NÃO se aplica no BDSM. O único direito de um escravo é o de entregar sua coleira, terminar a relação, “roubar”, “usar sem permissão”, “provocar”, o escravo assumido de outro DOMINADOR é altamente antiético, amoral e baunilha da pior espécie... Coisa de vagabunda, no sentido pejorativo e torpe da palavra. Além de isso ferir o único direito que o escravo possui. O que também não é pouca coisa. “Estragar” sua posse é estragar quem a possui.
>> O DOMÍNIO
  Nessa parte é complicado eu tocar. Não tenho os mesmos gostos da maioria dos DOMINADORES por escravos babões, que abaixam a cabeça ao menor sinal de tempestade na cabeça de seu SENHOR, não sou melhor que os outros, apenas diferente. Prefiro adestrar meu sub sem quebrar seu orgulho, sentir o tesão que ele tem com meu comando sobre sua vontade, mais do que tomar parte em atitudes ensaiadas. Mas que seja, vambora tentar fazer-me entender.
  A enorme maioria prefere os escravos que abaixam a cabeça, esperando ansiosamente pela próxima tarefa, a nova ordem.        Lembrem-se, um escravo é um ser pensante, sem demagogias aqui, não é assim tão simples ele baixar a cabeça e cumprir cabalmente TODAS as suas vontades. Seja LÚCIDO em suas ordens. Pense antes de dá-las, para não correr o risco de virar objeto de escárnio na net e ao vivo. Nem é por que ele quer isso, que é fácil para NÓS tomarmos TODAS as decisões, mas sim, é exatamente isso que o escravo quer e procura. SUA ORDEM e ORIENTAÇÃO. Portanto, não é DEPOIS de ter seu tão sonhado escravo, que você vai pensar em que ordens pode, ou não, dar. Novamente, seja lúcido/a, consciente, decidido/a. Postura e atitude! (E pelamor...que isso seja REAL dentro de você, porque se não for, olha você na boca do lixo!) Resumindo: Não hesite com seu escravo! Voz de comando é tudo. Exceto por escravos que amam palavras de baixo calão, (é, eu quis dizer palavrão, não preciso dar exemplo nisso, né? ), a maioria entende bem o português falado. Sair gritando e esbravejando é bem legal, mas tem seus momentos, ou perdem a validade.
>> A Situação
  Gosto de seguir meus instintos, mas um roteiro básico nos salva de situações críticas. Seu escravo age em função dos sinais que você envia. Se você for confuso com ele/a, não espere que ele/a saiba sempre o que você quer. Exemplo: Você está num péssimo dia, TPM atacada, (no caso dos homens, sempre tem um chato que torra o saco... ou tenha TPM também, kkkkkkk), sua meia desfiou, o chefe acha que você é de ferro... deu para entender, né? (ou entenda sem dar, também) e foi bem nesse dia que você marcou uma sessão, uma cena, ou vai chegar a casa e encontrar seu escravo/a, esperando por você. Primeira coisa: Domínio sob álcool NÃO ROLA. Tenha e esteja sob controle. Se beber não dirija, e também não domine. Segunda coisa: Se está sob tensão e o escravo não está contribuindo para que relaxe dê-lhe uma ordem que o afaste de você nesse momento, e que ele entenda também como sendo um sinal de sua turbulência interior. Não pode pedir que ele vá limpar seus saltos? Ordene que ele limpe o próprio armário. Arrume suas gavetas, qualquer coisa nesse estilo. Seja firme e explique o porquê dessa ordem. Lembrem-se que eles geralmente são inseguros demais e precisam de orientação passo-a-passo. Mesmo que você não esteja nos melhores dias. (Eu costumo usar essas ordens, sim!) Mas se vocês estiverem discutindo a relação (ODEIO isso, mas DRs existem no BDSM também.) e você mandar que o escravo faça algo cansativo e entediante, ele pode e vai tomar a ordem como castigo. Lembre-se que você não está num bom dia, então não seja confuso e evite ordens contraditórias.
>> A Adequação
  Você e seu escravo/a estão tendo uma discussão qualquer, e você sai com uma ordem humilhante e/ou cansativa. Lembre-se que mais tarde essa mesma ordem pode ter que ser repetida, portanto que ela tenha a ver com a situação de castigo que você quer impor. Exemplo? Não é o melhor momento para mandá-lo lavar suas meias. (Sim, a enorme maioria vai cheirar e mastubar-se nelas antes). Isso está mais para privilégio. Não tome atitude precipitada e não dê ordens aleatórias, (lembra do último tópico?), a ordem que você der em situação de nervoso com seu escravo/a vai ser o sinal para ele/a, que está sendo castigado. Da mesma forma, a ordem que você der em situação de prazer, vai ser o sinal que ele/a está sendo recompensado/a. (Um cuidado, aqui, não há nada mais pentelho que escravo/a mimado/a! Lembre-se que ele/a não vai ser seu/sua para o resto da vida, vale lembrar que você “os/as está adestrando para o mundo”, não apenas para você. Imagina SUA imagem se ele/a for uma negação, depois... experiência própria!)
>>PRESTE ATENÇÃO
  Seu/sua escravo/a está sempre lhe dando dicas de como ele/a está se sentindo. OU ele/a cala-se num mutismo irritante, ou ainda se fecha em copas e não quer falar sobre o assunto. Se numa relação baunilha isso é prejudicial e pernicioso para o relacionamento, no nosso mundo é ainda mais. Aliás, MUITO MAIS. Lembre-se que você está exercendo DOMÍNIO PSICOLÓGICO e FÍSICO, se está tudo correndo bem, seu controle é total. Não cabe respeito nesse ponto. Precisa sim invadir a mente e o coração de seu/sua escravo/a e entender o que está acontecendo. Como ele/a está se sentindo. O que ele/a pensa sobre vocês. É cansativo e desgastante, mas no mínimo vai protegê-los de uma explosão “inesperada” depois, ou, numa entrega de coleira que, sinceramente, você não quer de volta. (Já passei por ambas as situações, e DÓI, portanto entenda a situação e conserte-a ou conforme-se, mas esteja preparado/a).
>> O conhecimento prévio;
Antes de tratar seu escravo/a como cão/cadela, não se esqueça de pensar se esta é realmente a “viagem” dele/a. Antes de castigá-lo/a com rejeição, tente pensar um pouco em como isto o/a afetará. Não temos que fazer somente o que o/a escravo/a quer e espera, mas passar dos limites nesta área pode não ser tão bom. Escravos/as não são feitos em moldes. Cada um tem seus fetiches e limites. Senão físicos, psicológicos. Não aceite, e repito, não aceite conselhos que vão contra seus instintos básicos. Quem conhece seu escravo/a (se está fazendo uma DOMINAÇÃO competente) é você. Estude, faça a lição de casa direito, seja competente e adéqüe-se ao seu/sua escravo/a. (Ahhhhh  pelamor, não venha com liçãozinha que subs devem se moldar aos seus DONOs/As. Se você o/a aceitou e adestrou, e se fez seu trabalho corretamente, sabe bem que os moldes que seguiu com um, não necessariamente vão dar certo com o/a próximo/a).
>>O inesperado.
Uma DOMME/Mestre que tenha cuidado consigo e com seu/sua escravo/a não deverá ter grandes problemas na hora de alguma cena intensa. O básico, geral: é lembrar que os nós não devem prender o sangue, qualquer coisa no pescoço deve ter atenção redobrada, assim como objetos cortantes, perfurantes. Cuidar para que nada afete os olhos, nem líquidos, objetos ou mesmo tapas. Em contato com o ânus, camisinha e luvas cirúrgicas sempre. E não custa relembrar observe e pergunte sempre ao/a seu/sua escravo/a se está tudo bem, como ele/ela está sentindo-se. Use a disciplina a seu favor.

>> A hora de parar
Tanto o psíquico quanto o físico têm seus limites. Alguns deles eu já presenciei, outros só conheço teoricamente. Ainda bem. Mesmo achando que não vamos chegar nem perto deles, a/o DOMME/Mestre é a/o principal responsável por trazer o assunto à tona. Assim sendo, é sempre acertado combinar uma “safe word”, ou algo que do tipo. Aqui faço um adendo e uma alusão à posts anteriores deste mesmo blog. Não é uma bandeira que quero levantar, nem mesmo quero outras/os DOMINADORES seguindo meu exemplo, (tampouco aceito críticas), mas EU, particularmente, não aceito e nem permito safe. Gosto de meus/minhas escravos/as inseguros, dependentes e conscientes de MIM todo o tempo, mas para isso poder acontecer, EU sempre mantenho TOTAL ATENÇÃO, CONTROLE (sobre MIM e sobre o dominado/a), e a conversa flui em todo o tempo. Não faço monólogos, gosto do som dos gemidos e da voz de meus dominados, (ou nem os/as aceito), e no timbre, na respiração, na resposta ou ausência dela, sempre sei antes mesmo do dominado, quando é o momento certo. Isso permite sempre um “gostinho de quero mais”, ao mesmo tempo em que me permite uma DOMINAÇÃO lúcida, perfeita, limpa, segura e absolutamente viciante.


  Acho que é isso. Dúvidas e/ou sugestões, por favor, deixem comentários.

 PS: Este é um texto editado sobre o original do grande Mestre CIGAR, a quem eu, infelizmente, não pude pedir autorização, mas certamente tentei. Mestre deixo público meu abraço e admiração por seu blog e pensamentos. Beijo enorme, querido.

 PPS: Lembrem-se queridos, até o BDSM tem limites, respeite-os para serem respeitados. Divirtam-se!


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